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HOMENAGEM DA ABR AO DR. GALDO GOMES DE FREITAS

Lembro-me como se fosse hoje. Era tarde  porem,   longe da noite  uma destas tardes de outrora da minha vida,  num mês de setembro de 1970.  Eu  chegava ao Colégio Americano Batista da cidade do Recife  e lá    encontrei Geraldo dando os últimos retoques no VIII Congresso Brasileiro de Reumatologia.  Na Assembléia do  VII ,  ele   apresentara a cidade de Recife como candidata,  não sem ser contestado por alguns dos presentes,  em oposição a outros,  dentre eles eu,  francamente favoráveis à proposta.  Contudo  ela era respaldada pelo  Professor Jacques Houli, de um prestigio científico inigualável à  época e por isto com o apoio dos demais.

 

Sozinho e muito cansado  tomou-me pelo braço e levou-me até Olinda,  e ali, num bar  de pai de santo,  entre guaiamus, agulhas e goles de cachaça,   nascia uma amizade que duraria por toda vida, não somente de um colega,   mais de um verdadeiro irmão no dizer de meu pai,  que em discurso de seus oitenta anos de vida, o declarou um de seus filhos aos mais de oitenta parentes,  que lá  se encontravam. Foi naquela tarde também,  com habilidade política,   que ele começou a traçar o meu destino,  todavia pretensioso, de apresentar a cidade de Campinas como candidata a realização do próximo Congresso  e como premio, um habito à época ,  ser o próximo presidente da SBR.  O outro candidato  Acir Rachid levou a melhor  e também levou o Congresso para Curitiba acumulando os votos  do grupo do  Luiz Verstmann  fiel da balança,  entre ambos os candidatos.

 

Isto não lhe arrefeceu os ânimos.  Numa viagem de reconhecimento pelas regionais do sul  surpreendeu-se com a SPR,  cujo Presidente Dr. Arantes não era reumatologista, era sim, fisioterapeuta,  se bem me lembro.  Naquela época surgiu um moço que se mostrava muito inquieto e irrequieto,   com os destinos da Reumatologia Brasileira, cheio de ambições acadêmicas  e societárias, Wiliam Habib Chahade.

  Por sugestão e posso dizer bem a maneira do  Geraldo, elegeu-se Presidente da regional de S Paulo, dizendo ao Dr. Chahade  “lidere o movimento que eu assumo a paternidade”.  Em 1972 em Curitiba, e numa disputa entre Castor Cobra e eu,  com o voto de minerva do presidente da reunião Wilson Cossermelli,  sagrei-me vencedor por oito a sete votos.   O próximo passo foi vencer em Assembléia da SBR, outro pretendente à realização do X Congresso brasileiro de Reumatologia,  Fortaleza Ceará. Por fim o Congresso se realizou em Campinas em Julho de 1974,  bicentenário desta cidade.

Daí por diante, ele nunca mais parou,  no Brasil e no exterior,  e seria demasiado fatigante enumerar todas  as suas realizações, acadêmicas e societárias.  Algumas  contudo são  neste momento pertinentes,  do apelidado por nos outros de leão do Norte Nordeste . Elegeu-me vogal da PANLAR para a America do Sul.  Juntamente com o Uruguai, Argentina e Chile  fundamos  o Congresso,   depois Comitê do Cone Sul . Foi Presidente da SBR, Secretario Geral PANLAR,  Presidente da ABR  e sob seu comando  nunca na historia da Reumatologia Pan-americana, se manteve uma correspondência tão intensa quanto a dele , nela não perdendo de vista a divulgação da nossa Sociedade.  Não recebeu um só papel da PANLAR, e quatro anos mais tarde pagamos excesso de bagagem para os EUA.

 

Jornadas, Congressos inclusive o Pan-Americano em 1990,  nesta cidade do Recife,  a participação direta ou indiretamente da fundação de quase todas as regionais do norte nordeste,   os convites a celebridades internacionais  estreitando ainda mais nossos laços de amizade,  bastariam para outorgar-lhe o titulo  de um dentre os  grandes empreendedores da reumatologia brasileira de todos os tempos .  Na vida Acadêmica,  não foi menos importante sua contribuição,  ingressando desde muito cedo na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco,  não sem antes estagiar por dois anos no Rio com o Professor Jacques Houli  muito respeitado por todos nos como dissera antes.

 

Seu doutorado na antiga cadeira de Terapêutica Clinica,  revelava na época seu profundo espírito observacional e investigacional, a  saber o que era mais eficaz se a radioterapia  ou os glicocorticoides  no ombro doloroso,  sua permanente linha de pesquisa.   Tanto assim que  perseguindo passo a passo toda sua carreira acadêmica desde ai  ao grau de Professor Titular  naquela Universidade, e quando pensei que havia parado,  ele apresenta como tese para este Concurso,  uma exaustiva pesquisa experimental em ratos Winstar,    a saber de efeitos locais dos glicocorticoides,  com um grupo controle, e por ai vai o Geraldo.  Só restava ser o Diretor  da Faculdade onde estudou  e foi, alem de Professor Emérito  como coroamento de tudo que fez .

 

Geraldo, meu caro irmão,  meu caro amigo,  bem sei que não despertei minha memória com a montanha de méritos que ela ainda guarda   a seu respeito,  porem  sinto-me feliz por não de tê-la acordado.  Saudade é dor  que punge e que devora o coração, no dizer de Raimundo Correia  e preferi deixar minha alma falar um pouco de tudo  que sei de você.  Quero por derradeiro também dizer  que aqueles que como eu   tiveram o privilegio de viver ao seu tempo  e em sua companhia, tem por você os mesmos sentimentos da mais alta estima,  o maior respeito e consideração,  os  mais distinguidos.  Você na verdade, não só merece,  mais também enobrece  e principalmente dignifica  esta homenagem no seu mais alto  significado,  humano, cientifico, societário seja lá o que for. Que Deus na sua infinita bondade o  abençoe hoje e sempre.

 

ADIL MUHIB SAMARA MD. PhD. MACR.

PROFESSOR EMERITO  -UNICAMP-

 

CAMPINAS, 15 DE AGOSTO DE 2013

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